Dois olhos um mundo


Dois olhos um mundo

SILVA, Patrícia Mara Rodrigues

PDF para download

Através de órgãos sensoriais especializados, como, os olhos, o ouvido a pele a língua e o nariz, nós interpretamos o ambiente à nossa volta, e processos que passam no interior do nosso organismo. No estudo de qualquer tipo de percepção sensorial do homem, nos deparamos com a subjetividade. As experiências sensoriais são percebidas como vivencias pessoais intimas, podendo se alterar dependendo do nosso estado psicológico. Segundo D.Hume,“o homem nada mais é do que a soma de suas experiências”.
Percebemos o meio ambiente como um grande conjunto de coisas bidimensionais ou tridimensionais, que podem estar em movimento ou não, que podem variar quanto à cor, textura, brilho, forma e tamanho. Podem ter um significado especial ou não, podemos reconhece-los ou obte-los como uma primeira experiência. Podemos definir a visão simplesmente como a sensação causada por um estimulo, no caso, a imagem projetada sobre a retina. Entretanto, sabemos que durante o sonhos por exemplo temos a sensação visual, porém desprovida de um estimulo retiniano.
Uma fotografia é um recorte bidimensional da realidade visual. Uma câmera comum funciona como um de nossos olhos, pois em ambos os casos, uma imagem tridimensional é projetada em uma superfície bidimensional. Mas nós não possuímos apenas um olho, e é por isso que ao obtermos uma fotografia de nosso rosto, por mais nítida que seja, não conseguiremos o grau de perfeição de nossa imagem refletida pelo espelho.
A percepção da profundidade e de volume pelo nosso sistema visual usa quatro meios de reconhecimento, luz e sombra, a perspectiva, o movimento e a estéreoscopia (visão binocular). Todos esses aspectos já foram estudados para a obtenção da representação do mundo em que vivemos. Em primeiro grau, luz e sombra em desenhos e pinturas para representar volume, depois, no renascimento acrescenta-se na representação a perspectiva, depois pelo cinema a utilização do movimento que aconteciam quase paralelamente a algumas experiências com fotografias estereoscópicas.
Hoje em dia, pelo fato da estereoscopia requerer dispositivos para seu “funcionamento”, a tridimensionalidade é explorada a partir dos outros três aspectos. A cada dia imagens mais nítidas e maiores, efeitos com movimentos são explorados para causar maior sensação de tridimensionalidade, como podemos ver no filme matrix, onde uma mulher parece voar enquanto o tempo parece ser paralisado e nos é mostrada a cena por vários ângulos.
Meu trabalho pretende incluir a estereoscopia na recepção da obra em desejo de causar no observador a sensação de imersão. Nós percebemos um mundo com dois olhos, por isso nos sentimos inseridos no ambiente. Pretendo causar no sistema visual do receptor exatamente o que acontece em nossa visão natural do dia a dia. Só estarei mudando a “realidade”, ao invés de ser uma “realidade” tridimensional, serão duas “realidades” bidimensionais (o que chamo de realidade é o que existe no mundo físico, independentemente da nossa percepção). Quando vemos um objeto tridimensional qualquer, produzimos duas imagens diferentes deste mesmo objeto pelos dois olhos, estas duas imagens são enviadas para o cérebro, aonde acontece uma fusão que nos faz percebê-las como uma só. E é exatamente isso que vai acontecer ao observador que se sujeitar a olhar por um estereoscópio, são mostradas duas imagens ligeiramente diferentes para cada olho e estas serão percebidas como únicas, pela fusão binocular.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s